terça-feira, 16 de agosto de 2011

Lisboa em Agosto

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Entrar numa igreja. Evadir-se no tempo. Desprender-se. Inundar-se de silêncio. Numa viagem para dentro. Ou visitar o deus que nos habita. E que nos coabita com um diabinho... ou um diabo inflamado.
Deixarmo-nos penetrar pelo cheiro a incenso. Imenso. E dar folga ao diabo. E viajar pelos labirintos interiores. Pelos anseios. Pelos desejos formulados a medo. E pelos medos, que se evaporam e misturam com o incenso. Insensatos. Como se aquele lugar sagrado pudesse proteger-nos de todos os males. Amen.
Não crendo, queremos. Não querendo, cremos. Cremos que valeram a pena aqueles instantes de isolamento, de alheamento, de quase purificação. Ou não. Evocar o melhor que nos povoa. Espraiarmo-nos pelos pensamentos mais etéreos, voláteis, santificados.
Ao sair, a luz crua do sol bate no chão branco e fere. A nossa alma ainda tonta. A vida fervilha cá fora. Um cão corre atrás duma sombra. A própria. E nós corremos também. O tempo corre. A vida corre. E atrasámo-nos. Temos de nos despachar.
Qual é a pressa? Se corrermos, apanhamos o tempo? Fazemo-lo esperar por nós? Vai passar mais devagar? Vai prolongar o nosso tempo? Por que razão nos apressamos? Ninguém sabe... Mas apressamo-nos na mesma. Também sabemos tão pouco!
Pelo menos, eu sei que nada sei, como dizia o outro. Isso é a essência do querer saber. Ou crer no saber. Ou saber querer? Ou querer saber. Eu sei lá!



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