domingo, 1 de julho de 2012

Desdorientada




O poema está desfeito,

Como se o passado descesse as escadas,

Degrau a degrau,

Devagar,

Devagarinho

Para doer mais…

Desço

Ao fundo de mim,

Degrau a degrau.

As pernas cansadas

A dor nas pernas

São as saudades a morder as canelas do poema.

Poema passado,

Percorrido

Verso a verso,

Degrau a degrau

Até ao fundo de mim.

Saudade

Dum futuro que não existe.

O poema morreu.

 Ali

No fundo

Como se o mundo

Fosse o que vejo

Da minha janela

Virada para mim

E cheia de mundo.

O poema era tudo,

Era profundo,

Era isso tudo,

Era o mundo!

O meu mundo!

O poema iluminado

Como se a lua

Estivesse presa

À electricidade.

E, de repente,

Não mais que de repente,

Tivessem cortado a luz.

Como se eu não tivesse pago a conta…

E agora

Sem luz

Não vejo o poema…

Apalpo as sombras das palavras,

Tateio os lugares dos versos

Mas não consigo lá chegar.

O poema brinca comigo do além

E eu morro de saudades,

Aqui,

Agora.

Só,

Sem poema,

Sem lua,

Sem electricidade.

Que pena!

Estou nesta enorme tensão

Entre o passado e o futuro.

A dor perdeu a orientação.

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